Tornei-me bastante céptica, a vida moldou-me nessa medida, mas numa noite particular, evoquei um nome que já não evocava à muitos meses, evoquei Deus, perguntei-lhe porque é que aquilo tudo me tinha acontecido, perguntei-lhe onde estavam os meus amigos, que eu pensei que eram capazes de dar a vida por mim? Perguntei-lhe onde estava o bem que o senhor dizia dar aos justos? E vezes e vezes sem conta, perguntei PORQUÊ EU?! Não obtive resposta, mais uma vez, Deus deixou-me mais uma vez ás escuras...
Sei a diferença entre o bem e o mal, cresci com esses princípios, mas ultimamente questionei-me muito sobre eles, afinal o que é o bem?! Ou o que é o mal?! Será o bem uma atitude ou um sentimento que nos leva à plenitude de espírito. Ou o que serão os actos correctos que uma pessoa pode ter? E o mal?! Será a capacidade de uma pessoa em magoar outra?! Ou apenas um sentimento capaz de irradiar a desgraça à sua volta.
Serei o bem ou o mal?!
Mas segundo os meus princípios, sempre correcta, lutei com as armas mais limpas que uma pessoa pode ter. Mas o que é que eu ganhei por fazer o bem?! Paz?! Não, não alcancei a paz, nem a felicidade, pelo contrario, encontrei o medo e as sombras, encontrei uma mancha na minha vida...
Depois dou por mim a questionar se o mal é melhor que o bem, afinal quem praticou o mal saiu da história mais feliz que eu...
O meu corpo perdeu a adrenalina que o alimentou nos últimos sete meses, perdi as forças, senti-me adoentar, pela primeira vez em anos, quis cair ali e esperar que alguém me estendesse a mão.
Para fugir de tudo que me assombrava o presente, comecei a procurar as saídas mais fáceis e simples que uma triste pessoa pode encontrar...
Na minha sombra quer espiritual quer física, esmoreci, sentei-me na pedra fria, olhei para o céu cheio de nuvens, nem a lua se via, não valia a pena procurar a Tu, Aquela e a Outra. Do meu bolso das calças de ganga tirei um cigarro, com o meu próprio isqueiro acendi-o, e deixei que aquele fumo que me bloqueava os pulmões, por momentos senti-me a descarregar a pressão naquele pequeno cilindro.
Comecei a fumar... não muito, um cigarro de vez em quando para aliviar a pressão. Era a maneira que eu encontrei para me mate rizar por gostar de uma pessoa que não merecia o meu amor.
Se eu tivesse mudado de caminho, por uma vez que fosse, poderia estar feliz agora!!!
Mas a verdade é que eu nunca vou saber o que tinha acontecido se eu tivesse tomado outras opções.
Eu tinha razão... Uma pequena atitude minha podia alterar por completo o rumo do meu futuro. A minha vida rodava sempre como um tabuleiro num jogo de xadrez... Às vezes desejava as sombras, desejava mais um cigarro para estragar mais um pouco a minha saúde... Desejei afundar-me.
Estava a crescer muito depressa.
Depois de ter perdido a ingenuidade sobre o mundo queria era gozar a vida! Fumei, bebi, convivi com drogas, saio à noite...
Gosto da vida que levo hoje...
Amanha verei o que vou fazer.
Às vezes só desejava um momento....
Às vezes desejava uma lâmpada mágica...
Às vezes gostava de me afogar...
Mas simplesmente o que eu queria, era esquecer o meu passado...
Gostava de começar de novo, o pior é que quando eu começo de novo, uma resta do passado, volta sempre para me assombrar.
música: Curtain Falls (blue)